Ricardo Feltrin visita redação do BNews e conta segredos do jornalismo online

Na manhã desta quinta-feira (6), a redação do BNews recebeu a visita do jornalista Ricardo Feltrin, colunista do portal UOL e criador do F5 - canal de entretenimento da Folha S. Paulo. Em bate-papo com nossa reportagem, o ex-repórter de política da Folha contou como foi sua mudança para se tornar um dos nomes de maior referência no país do jornalismo sobre TV. 
 
"Eu era repórter de política na Folha de S. Paulo, agora por sinal está fazendo 20 anos que estou cobrindo TV, aí surgiu uma oportunidade para trabalhar no Folha da Tarde e comecei a trabalhar com TV. Não tinha nenhuma fonte, não conhecia absolutamente nada de TV, ninguém de TV. Mas, no fim das contas, hoje é mais ou menos como trabalhar com partido, só muda a sigla", afirma ao destacar que não encontrou dificuldades. "Mas, também não foi muito difícil".
 
Para isso, Feltrin revela que focou em uma dinâmica que cumpre até os dias de hoje. "Eu acho que jornalista tem que ter notícia exclusiva. Então, quando acordo, seja para o Uol ou para o meu próprio site, eu penso 'tenho que dar uma notícia que ninguém tem'", conta e enfatiza. "E isso que me move".
 
Apesar da longa experiência no jornalismo impresso, se tornou um dos principais nomes do jornalismo online ao ser responsável pela  reforma gráfica que transformou a Folha Online em Folha.com. "Eu gosto de jornal ainda, mas é inevitável que ele vai acabar, se ele não se reinventar como produto, vai acabar em alguns anos. O jornal online hoje é a maior audiência". 
 
No entanto, Feltrin aponta os riscos de fazer notícia na internet. "O problema é que você comete erros por causa da pressa. Existem dois tipos de erro: ou porque sua fonte é mal informada ou porque você é afobado. Eu acho que o grande problema da internet é essa quantidade de erros, porque todo mundo quer noticiar tudo primeiro. Então, as vezes é melhor segurar. O problema maior da internet que eu vejo é esse, o excesso de pressa".
 
Em 2011, criou o F5 - canal de entrenimento online da Folha de S. Paulo, onde foi editor. "Foi um grande sucesso logo na estreia e hoje eu acho que a Folha 'tirou um pouco o pé' dele. Mas, é um foco de grande audiência até hoje. Até porque você não tem como abandonar o entretenimento. Se só publicar matéria séria, cansa", disse o jornalista que deixou a Folha há três anos. 
 
E com base nos números do F5, Feltrin relembra os maiores picos de audiência e defende que os assuntos "fofoca e crime" são os líderes de acessos. "Quando me perguntam o que dá audiência, eu digo que fofoca dá audiência e crime dá audiência. Que eu lembre as maiores audiência foi envolvendo um cara preso ou acidente com famosos. Eu diria que para o empresário, para o dono do site, o ideal é que você tenha um famoso cometendo um crime. Deus me livre que as pessoas façam isso", brinca. 
 
Atualmente com o site Ops, ele associa suas paixões e segue com sua coluna no UOL. "É um site privado, que escrevo sobre minhas paixões, que é música, pois sou músico até hoje, e cinema, que é outra paixão. Lá em São Paulo eu vejo uma média de 400 filmes por ano. É uma coisa que faço todo dia. O site ele agrega todas as matérias que faço no UOL. Então, nichos, música e cinema, além de dicas de investimento".
 
Questionado sobre os desprazeres e as delícias do jornalismo online, que já se dedica há anos, Feltrin é enfático. "Os principais riscos é cometer erros por afobação e não tem prazer maior do que noticiar uma coisa que ninguém tem e todo mundo ir atrás da sua notícia. É uma mistura ego e bem estar psicológico", conclui. 
Ricardo Feltrin
Além de jornalista, Ricardo Feltrin é músico profissional, pianista e tecladista. Já atuou como professor de história e geografia. É formado em Química-Cerâmica (Senai AAP) e já estudou  administração de empresas, teologia e ciências sociais (quatro anos), porém não se formou em nenhuma. 
 
É jornalista desde 1991, quando integrou a 9ª Turma de Trainees da Folha de S.Paulo, depois foi repórter de Cotidiano na Folha de S.Paulo, repórter, redator, editorialista, colunista político e de TV no extinto jornal "Folha da Tarde", e colunista principal do jornal "Agora", que substituiu a "FT" em 1999;
 
Entre outros trabalhos, participou da cobertura de eventos como o Massacre do Carandiru (92), o impeachment de Collor (92), a morte de Ayrton Senna (94), os ataques do PCC a São Paulo (96), a invasão da casa de Silvio Santos (2001), o 11 de Setembro; e as guerras dos EUA contra o Afeganistão e, depois, contra o Iraque. Foi correspondente da Folha em Roma na morte do papa João Paulo II, em abril de 2005.

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