Artigo

A Intolerância prossegue

[A Intolerância prossegue]
20 de Janeiro de 2021 às 11:17 Por: Yalorixá Jaciara Ribeiro

Quem me dera que o racismo e suas facetas, sobretudo a intolerância religiosa, fossem destituídos com a morte de minha mãe. Embora, sempre engajada politicamente e atuante em prol das necessidades do nosso povo. Mãe Gilda ansiava por um futuro mais justo, não à toa teve sua foto capa da revista Veja em 1992, no movimento Fora Collor, que posteriormente foi utilizada pela igreja universal para macular a sua imagem. Ao partir, minha mãe me deixou legados e um deles foi o compromisso com a perpetuação da luta pela liberdade de crença e de culto, contra o racismo e por uma sociedade mais justa e igualitária.  

Dessa trincheira de luta, nasce o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, o 21 de janeiro, mesmo dia de sua morte, foi implementada 7 anos depois de sua partida para o Orum, por meio da Lei nº 11.635, de 27 de dezembro de 2007. Durante estes setes anos e os demais quatorze que se sucederam até aqui, incansáveis foram e são as batalhas diárias pelo direito à fé. 

Sabemos que ter um dia do ano como uma data simbólico de luta contra a intolerância religiosa não nos impediu de ter nossas vidas e espaços sagrados apedrejados e maculados pelo racismo. Nossos terreiros continuam sendo invadidos e depredados, omo orixás (pessoa filha de orixás) continuam sendo perseguidas e agredidas pelo simples fato de professar sua fé: direitos básicos continuam nos sendo negados e santuários naturais que deveriam ser reservas ambientais seguem sendo destruídos. É por isso que este dia se torna ainda mais importante, uma vez que mesmo diante do cerceamento de vitalidades para o nosso povo causado pelo racismo, nós nos levantamos e reverenciamos todos os nossos ancestrais, que nos deram axé para chegar até aqui, reivindicando todos os nossos legados e escrevemos as nossas histórias e celebramos e compartilhamos todas as nossas grandes e pequenas conquistas. 
       
Pois bem, caros leitores, esta data é um dia de balanço, lutamos o ano inteiro, todos os dias e meses assim como Mãe Gilda, Mãe Stella, Makota Valdina, Mãe Mirinha de Portão e tantas outras ancestrais que travaram batalhas e construíram heranças das quais precisamos nos fazer pertencentes, nos apropriar e perpetuar, fortalecendo desta forma as nossas Egbes.

Yalorixá Jaciara Ribeiro
Axé Abassá de Ogum.

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