Entrevista

Marqueteiro de Colbert Martins vê "lavagem cerebral" na campanha de Zé Neto

[Marqueteiro de Colbert Martins vê "lavagem cerebral" na campanha de Zé Neto]
27 de Novembro de 2020 às 20:24 Por: Victor Pinto* e Henrique Brinco

O especialista em marketing eleitoral Xiko Melo, que assina a campanha de Colbert Martins (MDB) em Feira de Santana (BA), avalia que o prefeito está sendo vítima de uma campanha "injusta" por parte do adversário dele no segundo turno, Zé Neto (PT). Em entrevista exclusiva ao BNews, o marqueteiro disse acreditar que o discurso da "mudança" não condiz com a realidade, já que o emedebista está no comando da gestão há apenas dois anos. 

"Colbert tem dois anos de gestão. E se você considerar esses dois anos, um ano o cara teve chuvas brutais em Feira de Santana. É só olhar para qualquer rodovia estadual, você vê problemas. Jogar pedra, ser oposição e apontar o dedo é muito fácil", declarou, para a reportagem.

Colbert foi alçado após ser vice do ex-prefeito José Ronaldo (DEM), que comandou o município por quatro mandatos. O longo tempo de mandato do democrata foi intensamente explorado pela campanha adversária, que associou a imagem da dupla e conseguiu reunir uma frente ampla de aliados de diversos espectros políticos.

Ainda na entrevista, Xiko Melo nega que Zé Ronaldo tenha sido "escondido" propositalmente da campanha de Colbert e se diz esperançoso com o resultado das urnas no próximo domingo (29).

Leia na íntegra:

BNews - Inicialmente, na comparação do primeiro para o segundo turno, o que foi o dificultador para a campanha eleitoral em Feira de Santana diante da pandemia do coronavírus? O que foi feito de diferente para conseguir fisgar o eleitor?

Xico Melo - A maior dificuldade em si numa pandemia mundial é de fato não ter a presença popular na campanha. Não ter o abraço, o acolhimento das pessoas. Isso para o político é complicado. Você tirar dele o calor do povo, o abraço. E para a gente que cuida do marketing, é muito difícil você lidar com a falta de gente, a falta de pessoas, mesmo seguindo as recomendações sanitárias e dos juízes eleitorais. Isso é o mais complicado. No primeiro turno, eram oito candidatos contra um. Eram nove candidatos, o que dificulta a persuasão de comunicação. A gente já previa e não foi muito diferente do que a gente imaginava. Não obstante a gente preparou o segundo turno e, já desde antes, preparamos a virada e as mudanças. 

BNews - O segundo turno é uma nova campanha?

Xico Melo - É uma outra campanha. Tem que ser outra campanha. Ainda mais essa, que você tem uma pandemia dentro dela. E essa virada se deu principalmente na condição de você ter um tempo maior, o um contra um de forma mais justa. Não tem mais outras pessoas, é uma ideia ou outra ideia. Fica melhor para a avaliação das pessoas. E, por outro lado, o fato dificultador do segundo turno é o tempo. Você acaba a eleição no domingo e começa a trabalhar na segunda, para ir ao ar já na quinta-feira e ter evento em dois ou três dias. E aí você cria, filma, edita... Então, não é uma coisa que você faz em 24 horas, do dia para a noite. A gente começou sexta-feira passada a campanha. No segundo turno, é duas vezes a intensidade na campanha. Nós conseguimos absorver as mudanças necessárias. Colbert tem uma frase que eu gosto muito: "Não sou apegado a erros". E erros têm que ser corrigidos. É o que a gente tem tentado fazer: não errar e transmitir o candidato que Colbert é. Ele é um grande político e um grande homem.

"Essa mensagem de mudança colocou Colbert em uma posição injusta de 20 anos de gestão. É completamente uma injustiça. Colbert tem dois anos de gestão"

BNews - Qual foi a qualidade mais vendável de Colbert que você acha que conseguiu criar empatia dele com o eleitor? Qual foi o ponto chave na figura de Colbert Martins?

Xico Melo - O que eu acho que ele tem de melhor é a visão de futuro. Por incrível que possa parecer, Colbert é um cara muito antenado com o futuro, com as novas tecnologias, com as coisas que toda cidade do tamanho de Feira de Santana precisa fazer. A gente tem uma cidade organizada em sua infraestrutura. É claro que as coisas precisam melhorar, isso e evidente. Tudo precisa melhorar, ainda mais no meio de uma crise econômica de uma pandemia. O otimismo e a visão de futuro que ele tem é maravilhoso. E a humildade. Ele é de uma simplicidade assustadora. A sua simplicidade chega a extremos que a gente se diverte, de não se preocupar muito com sapato se é bom ou se não é. Foi uma briga para poder pedir para ele comprar um sapato novo. Um sapato horrível, diga-se de passagem. Essa coisas que o marketing tenta absorver ou melhorar. E esse carisma que contagia a gente.

BNews - Tivemos dois debates de rádio e agora teremos um debate na TV. Acredita que eles são decisivos para poder guiar o eleitor no segundo turno? 

Xico Melo - De fato, nós estamos presenciando uma eleição bem disputada. Uma eleição acirrada e qualquer fato fora da curva pode ser decisivo. Tudo é uma decisão específica. Colbert domina, tem experiência. Queira ou não, é um homem centrado, seguro, compenetrado naquilo que está fazendo. Esses dois anos para Colbert foi uma experiência que ele adquiriu. Não é só administrar Feira de Santana. É administrar Feira de Santana no meio de uma crise, de uma pandemia, com consequências para a economia e queda de arrecadação. Ainda assim, ele fez obras. O político ter coragem de meter a mão e fazer as obras que ele está fazendo, é uma coisa que a gente tem que bater palma. E esses detalhes que a gente vai avaliando são fundamentais para a decisão do eleitorado. Mas o debate é um fortalecimento dessas ideias, desse discurso. E às vezes no debate ao vivo, aquele sorriso maroto que um ou outro candidato tem, que é marqueteado, possa cair a máscara em determinado momento. E a gente pode ver as pessoas como elas são. Eu busco não inventar produtos. Busco maximizar as virtudes de cada candidato e fazer o que tem de bom dele no coração das pessoas. E aí não tenho medo nenhum.

"Eu busco não inventar produtos. Busco maximizar as virtudes de cada candidato e fazer o que tem de bom dele no coração das pessoas"

BNews - Os adversários acusam Colbert de esconder Zé Ronaldo no segundo turno. Teve alguma tática sobre isso?

Xico Melo - Não existe tática. As pessoas no primeiro turno não votaram. Quem votou em Zé Neto não votou em Zé Neto. Votou na lavagem cerebral da mudança. Isso sim foi marketing. Porque a mudança de fato começou em 80. Feira de Santana em 20 anos foi transformada por Zé Ronaldo. Você achar que uma cidade não tem que ser transformada todo ano, é porque você não gosta de evolução. A cidade sempre tem que estar em constante evolução.  E essa mensagem de mudança colocou Colbert em uma posição injusta de 20 anos de gestão. É completamente uma injustiça. Colbert tem dois anos de gestão. E se você considerar esses dois anos, um ano o cara teve chuvas brutais em Feira de Santana. É só olhar para qualquer rodovia estadual, você vê problemas. Jogar pedra, ser oposição e apontar o dedo é muito fácil. Colbert só tem dois anos de governo. Diante de uma pandemia, diante de chuvas, imprimir a sua gestão, o resultado dela, não dá tempo. Dizem que em quatro anos o prefeito não consegue mostrar tudo o que ele pode fazer, imagine em dois anos, considerando pandemia e as chuvas. É muito injusto. E, nessa necessidade de mostrar o trabalho de Colbert, demos mais espaço para o próprio Colbert. Até porque Zé Ronaldo é muito conhecido por todos. Mas a gente tem que entender que Colbert só tem dois anos e ele precisa mostrar todo o potencial dele no próximo mandato.

BNews - O peso de ACM Neto vai influenciar em Feira de Santana? Até porque, Feira é uma cidade importante na geopolítica do Estado. É o segundo maior colégio eleitoral e ele está de olho em 2022.

Xico Melo - Isso é uma coisa óbvia. O deputado Zé Neto se esconde o tempo inteiro na figura do governador. É quase uma forma de chantagem, se não tiver um prefeito alinhado com o governador, Feira vai continuar refém e de joelhos. Durante todos esses meses, e de forma inacreditável, conseguiu apresentar apenas cinco obras estando no poder há 16 anos. Cinco obras. Detalhe: obras que são compartilhadas com cento e tantos municípios. O Clériston Andrade não é hospital de Feira. É um hospital regional. Em 16 anos, você avalia um governo de Estado ineficiente que parece não gostar de Feira. Feira de Santana está acostumada com bons governadores. Tivemos o governador João Durval. Paulo Souto estava aqui o tempo inteiro. Quando o PT entrou, Feira de Santana foi completamente abandonada pelo Governo do Estado. E, com todo o poder que tiveram, presidente da República por tantos anos, agora vêm chantagear os feirenses dizendo que para estar alinhado tem que ter o governador? Se for esse pensamento, a gente tem que entender que o governador sai daqui há dois anos. Nós teremos um novo governador. E se Deus quiser, tenho fé, vejo a ascensão de Neto em 2022. Então, se a disputa é essa, que as pessoas entendam que há um futuro pela frente.

*O Editor de política do BNews viajou para Feira de Santana para acompanhar o 2º turno das Eleições 

Os comentários não representam a opinião do portal; a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso

Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Compartilhar